Blog experimental criado por 5 alunos de jornalismo da UFES. Matérias relacionadas à música em Vitória, Serra e Vila Velha.

maio 18, 2010

Música Experimental no Intercom

por Yuri Barichivich

Na última quinta-feira, na hora do almoço, o Cemuni V - “aquele prédio laranja”, como estava nas propagandas espalhadas pela Ufes - foi palco de uma apresentação musical pouco usual para os participantes do Intercom Sudeste 2010, congresso de Comunicação Social.
Patrícia Garcia
O evento, que faz parte de um projeto maior chamado Rec it All, foi realizado pelos músicos Hebert Baioco, 22, no piano, e Marcus Neves, 27, professor da FAMES, responsável pelo “Live Eletronics” - equipamento que gera batidas e percussões puramente eletrônicas.

O estilo musical da dupla, conhecido como electroacoustic improvisation (“improvisação eletro-acústica”), é pouco difundido no estado do Espírito Santo. Nasceu nos EUA, na década de 60, e foi considerado experimental, sem grandes expoentes de fama, o que dificulta seu acesso ao público. Marcus Neves, licenciado em música pela Ufes, diz que “no Espírito Santo o público começa a se aproximar desse ritmo. Temos um certo atraso auditivo, que está aos poucos sendo sanado”.

Hebert Baioco diz que eles entraram em contato com esse estilo graças à curiosidade gerada através da matéria História da Música, estudada no Curso de Música da Ufes. “Como no Espírito Santo o acesso à informação é precário, eu tive que procurar na internet e em festivais de outros estados, além de estudar e pesquisar muito. Afinal, aqui quase não temos público ou quem faça esse tipo de trabalho”.

                                  Patrícia Garcia


A dupla possui composições próprias, como “Caymar” e “Todos os Sons”. Marcus relata que o processo de criação é sempre em união.  “Sentamos, estudamos, pensamos e tocamos muito, só então começamos a delimitar as formas”. Dessa forma, a autoria das obras é conjunta. 

                                                            Patrícia Garcia

Embora cada um tenha suas próprias influências, eles conseguem fundir o MPB de Hebert com o rock de Marcus em suas músicas, como eles mesmos dizem. “Temos algumas coisas ligadas a músicas eruditas, mas ultimamente temos ouvido muito Animal Collective e Pierre Henry, na música eletrônica.”


Patrícia Garcia
A plateia ficou um pouco confusa no começo da performance, como Gabriel Barbosa, 20, estudante de Publicidade e Propaganda da Ufes. Gabriel disse que achou a apresentação muito “Windows 98”. Questionado se havia gostado, declarou “suspeito de falar, não é meu estilo musical”. Já o estudante do Curso de Música da Ufes Gabriel Amaral, 21, já tinha assistido à dupla em outra ocasião e, apesar de não gostar do estilo, afirmou “da última apresentação para agora, eles evoluíram muito, tanto na qualidade quanto no resto”.

maio 09, 2010

Canto Coral em Manguinhos

por Patrícia Garcia

O Balneário de Manguinhos, na Serra, não oferece apenas belezas naturais, mas também musicais. O Coral de Manguinhos, criado em março de 2005, é formado por volta de 30 coralistas do bairro e de outras regiões da Grande Vitória, e mostra regularmente seu repertório diferenciado em eventos no Espírito Santo.

Conheça o Coral de Manguinhos

Foi criado por iniciativa de um grupo de moradores do bairro, liderados por Martha e Oscar Sadovsky, argentinos morando há mais de 30 anos no Brasil. Eles contrataram o regente Darcy Alcantara, divulgaram o projeto e organizaram os primeiros ensaios, em sua própria casa. O grupo acabou crescendo e ganhou espaço para ensaios no Centro Cultural do bairro, quando este foi construído.

O repertório do Coral de Manguinhos dá destaque às canções regionais e populares, baseadas no folclore do Norte e Nordeste do Brasil, na tradição capixaba do congo e na riqueza da MPB. A administradora Thaiz Campos Martins, 34, que conhece o Coral desde sua fundação, vê um diferencial na sonoridade do grupo, em relação a outros. “O Coral de Manguinhos tem características peculiares, chama a atenção pelo repertório diferente.” Darcy Alcantara destaca que “os integrantes do Coral de Manguinhos se destacam por seu envolvimento, dedicação, e grande alegria com que fazem música”. 

Quem faz o Coral

O regente oficial, Darcy Alcantara, se afastou em julho do ano passado para fazer o Mestrado na Escola da Música da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Provisoriamente, está em seu lugar Diego Dadalto, 26, formado em música pela Faculdade de Música do Espírito Santo (Fames). Está é a primeira experiência de Diego como regente de corais.

Este ano, o Coral teve condições de contratar uma tecladista fixa, graças ao apoio da Prefeitura da Serra, através da Lei Chico Prego. Thalita Amaral, 22, já tocava para o grupo desde 2008, mas apenas esporadicamente. Agora, ela frequenta alguns ensaios por mês e acompanha o Coral em suas apresentações.

Os coralistas são, em sua maioria, pessoas mais velhas, incluindo vários aposentados. Porém, não há nenhuma restrição de idade. O estoquista Magnun da Silva, 18, é o membro mais jovem do Coral. Ele entrou para o grupo quando tinha apenas 14 anos, e afirma que não há preconceito. Magnun é tenor (a voz 
mais aguda dentre as vozes masculinas), e também toca o triângulo. Segundo ele, muitos jovens não podem participar do Coral por falta de oportunidades. “Os aposentados têm tempo que muitas vezes os jovens não têm, por causa de estudos e trabalho.”

Apoio da Prefeitura da Serra

O Coral de Manguinhos foi o primeiro coral a receber apoio da Lei Chico Prego. Esta lei da Prefeitura Municipal da Serra, em vigor desde 1999, consiste na concessão de incentivo financeiro para realização de Projetos Culturais. Em troca do bônus, o coral deve fazer apresentações no município da Serra. O Coral de Manguinhos é mantido autonomamente pelos próprios coralistas, e não por alguma empresa, então, graças ao financiamento pela prefeitura, o grupo pôde arcar com despesas extras, como contratação da tecladista, de um preparador vocal e compra de um teclado novo.

Apresentações

Na última terça-feira, o Coral de Manguinhos fez sua primeira apresentação do ano, no “Bazarte – Arte Utilitária à Venda”, na Praia do Canto, em Vitória. Também foi a estreia do regente Diego Dadalto com o Coral. Ele estava ansioso, mas afirma que a experiência foi ótima. “Já tinha me apresentado com crianças, em escolas, mas a situação aqui é diferente. Estava nervoso pela formalidade da apresentação.” Thaiz Campos Martins assistiu a apresentação de terça-feira e aprovou a atuação do regente substituto.


Já há outras apresentações na agenda do Coral:

No dia 18 de maio, irá cantar no Centro de Formação em Bairro de Fátima, às 19h30, no encerramento do Curso Pró Letramento - Linguagem e Matemática.

No dia 25 de maio, às 19h, participará do Festival Eco Manguinhos, na Praça de Manguinhos.

Também foi convidado para o XVI Encontro Cachoeirense de Corais, que acontece em junho deste ano.

Para participar

Os ensaios ocorrem às terças-feiras, às 19h, no Centro Cultural de Manguinhos. A cada duas semanas, há também preparação vocal, às 18h, no mesmo local.



Para participar, basta ter dedicação e disponibilidade para comparecer aos ensaios semanais e apresentações.

Os interessados podem falar com a equipe de Coordenação:

Beatrix Paulics – 3243 4490
Mariângela Garcia – 3243 4493
coraldemanguinhos@yahoo.com.br 



maio 08, 2010

Conheça melhor o professor José Viegas e o Coral Integração

por Yuri Barichivich e Patrícia Garcia

Durante a produção da matéria “Integração através da música” foi nos concedida a oportunidade de entrevistar o professor adjunto da Ufes José Viegas Muniz Neto, membro do corpo docente do Departamento de Teorias da Arte e Música (DTAM). Com uma longa e rica história no ensino da música, o professor José Viegas é um dos mais queridos do Curso de Música, onde ocupa a cadeira de Harmonia, Instrumentos e Regência de Coros.

Em entrevista ao NOTAS MUSICAIS, o professor revelou parte de sua vida profissional, conversou sobre seu novo coral, o Coral Integração, e nos contou um pouco do propósito de seu trabalho. Abaixo, a entrevista na íntegra.

NOTAS MUSICAIS - Poderia nos contar um pouco de sua experiência como regente?
JOSÉ VIEGAS - Sou Bacharel em Ciências Jurídicas pela Universidade Mackenzie – SP, e após minha inscrição na OAB, perguntei a um colega se deveria optar por música, pois era também Graduado pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo em Piano - Virtuosidade. A resposta foi imediata: "opte por aquilo sem o que você não conseguiria viver".

Foi quando segui a carreira musical.  Através de concurso, obtive uma bolsa do governo holandês para estudar no Conservatório Real de Haia, onde permaneci durante 6 anos,  quando me formei como Regente de Orquestra, com prix de excellence.

Aproveitei minha permanência na Europa quando regi na França, obtendo o primeiro prêmio Jeunes Chefs d'Orchestre da Orquestra Sinfônica da Radio Difusão francesa, na cidade de Besançon. Estudei também em Veneza com Franco Ferrara, professor do Conservatório de Roma.  Realizei também um Curso Internacional de Coro e Orquestra com  Kurt Thomas de Leipzig-Alemanha; e, em Nice, com Pierre Dervaux , regente da Ópera de Paris.

Na Holanda, atuei em corais com várias execuções públicas, inclusive com Orquestra Sinfônica e Solistas, apresentando um vasto repertório de todos os períodos, inclusive de autores brasileiros.

Regendo a conhecida Banda Sinfônica do exército  holandês Johann Friso Kapel, com sede na cidade de Assen,  obtive o diploma estatal de regente de banda e fanfarras.


Voltando ao Brasil atuei como regente na OSPA - Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e em São Paulo, na Orquestra Sinfônica Estadual. Como regente da Secretaria de Estado da Cultura, em São Paulo, durante quatro anos, fui titular da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto,  dos Mestras Cantores de Araçatuba-SP, do Coral de Intercâmbio Internacional de Jovens, promovido pela Comissão Mundial de Diretores do Rotary Club, com participação de 15 países, do Coral da União Geral da Armênia de Beneficência – UGAB em São Paulo, do Coral da Ferrovia Paulista - FEPASA, formado pelos funcionários daquela entidade, do Coral ARS-EA, composto pelos alunos do Curso de Educação Artística  do Instituto de Artes da UNESP em São Paulo e Orquestra da Rádio Cultura da Fundação Padre Anchieta de São Paulo, regendo na série “ A música dos grandes mestres”.

Em todas essas regências, sempre trabalhando com vasto repertório de obras para os concertos e recitais de orquestra, com solistas como Nelson Freire, Arthur Moreira Lima, Jacques Klein, e corais.
Depois fiz concurso público para cadeira de Regência na Universidade Estadual Paulista, onde me aposentei como Livre Docente.

Em seguida comecei a frequentar a cidade de Guarapari pela radio-atividade lá existente e pelo clima, considerado o melhor do país, devido à saúde de minha esposa, com artrite reumatóide.
Por sugestão de amigos, fiz concurso público no Centro de Artes da Ufes, para a cadeira de Harmonia, Instrumentos, Regência de Coros, quando, após alguns anos, transferi residência para Vitória, onde moro atualmente.

Aprecio muito o alunato desta Universidade e admiro o crescimento extraordinário do capixaba em todas as áreas.

NM - O que incentivou a criação do Coral Integração? 
JV - A idealização e a criação do Coral Integração são um Projeto de Extensão que visa à integração entre música e sociedade, objetivando contribuir com a criatividade e o desempenho em prol do desenvolvimento  sócio-artístico e cultural. Como cita Capri, “ninguém é uma ilha”.

NM  O Coral Integração possui alguma relação com a Pró-Reitoria de Extensão (Proex)? 
JV  O coral é composto em sua maioria por alunos dos vários Centros da Ufes, professores, funcionários e pessoas da comunidade, e não apenas de funcionários pertinentes à Proex.  Até a presente data ensaiamos lá provisoriamente, pois nosso local definitivo é a sala de Conexões de Saberes (que estava em reforma)*, no Centro de Vivência, onde há espaço suficiente para seus já 30 componentes! Os componentes do coral Integração provêm de variados cursos: música (seis elementos), jornalismo (três), psicologia (três), letras (um), matemática (um), marketing (um), história (um), arquitetura (dois), comunicação (um), de ciências sociais  (um). Também há coralistas da comunidade (seis), da Braslimp (um), e do DRH – Departamento de Recursos Humanos (dois). No entanto, nossa estrita ligação com a Proex pode ser apontada pelos seguintes motivos:
1.    O regente, que é professor no Centro de Artes, é também representante de seu Centro na Proex, e fundou um Coral que se baseia numa proposta de integração que está inclusive nos ditames da Proex e do Centro de Artes. No entanto, nossa estreita ligação com a Proex  está vinculada a um Projeto de Extensão, cujo nome é "Coral Integração" idealizado e executado pelo professor Viegas, seu regente e seus acessores.  
2.    A atenção e o apoio da Pró-Reitoria de Extensão e da Diretoria do Centro de Artes, que têm sido relevantes  e indispensáveis  neste  intercâmbio.

*na data da entrevista, o Coral ensaiava na Proex. Desde a última terça-feira, os ensaios voltaram para a sala definitiva, do Conexões de Saberes.   

NM - O coral já possui um número razoável de coralistas, apesar do pouco tempo de existência. A que se deve isso?
JV - Deve-se ao interesse das pessoas de que lá participam com dedicação, principalmente por terem um ideal e se sentirem recompensadas pela qualidade do grupo.

NM - Os naipes estão equilibrados dentro do coral?
JV - Tivemos muita sorte a esse respeito. Ninguém está no lugar de ninguém, como alternativa de reforço. Temos oito baixos, seis tenores, seis contraltos e dez sopranos. Dosagem perfeita para o equilíbrio sonoro.

NM - Como existem dois corais de extensão dentro da Ufes, o Coral da Ufes e o Integração, não existe nenhum sentimento de rivalidade?


JV - O tradicional e belíssimo Coral da Ufes é regido pelo grande artista e amigo Cláudio Modesto, o qual prestigio por ser colega da mesma instituição. Desde que ingressei, sempre tivemos uma amizade muito autêntica.  Até agora, sempre o consulto e solicito suas opiniões, pois sendo ele um verdadeiro artista, não há motivo para nenhuma rivalidade. “Os verdadeiros artistas sempre acabam por se entender, mas os medíocres matam” dizia Eleazar de Carvalho. Quando iniciei o projeto, conversamos muito. Inclusive é meu hábito indicar meus melhores alunos para seus Corais, assim como muitos de seus coralistas cantam comigo.  Já realizamos juntos concertos com a participação de nossos corais, de meus alunos do Centro de Artes e dos componentes do Coral da Ufes,  assim como nos convidou para participar do 10º Encontro Nacional de Coros, Cantares, em setembro último, organizado por ele e encabeçado pela Secretaria  de Cultura da Ufes, dirigida pela professora Rosana Paste. Nossos ensaios são sempre realizados em dias e horários diferentes, para que não haja concomitância, não oferecendo nunca dificuldades para os integrantes. 

Integração através da música

por Patrícia Garcia e Yuri Barichivich

Na última quinta-feira, 29, visitamos o ensaio do mais novo coral da Ufes, o Coral Integração, regido pelo professor José Viegas Neto, do Departamento de Teorias da Arte e Música da Ufes. O grupo conta com aproximadamente vinte coralistas, apesar do pouco tempo de existência.

O Coral Integração começou há cerca de um mês, a partir do incentivo de participantes e do regente. O professor José Viegas coloca que “a idealização e a criação do Coral Integração é um Projeto de Extensão que visa a integração entre a música e a sociedade, objetivando contribuir com a criatividade e o desempenho em prol do desenvolvimento  sócio-artístico e cultural, pois como cita Capra: ‘ninguém é uma ilha’”.

No começo dos ensaios, existe um processo de preparação que inclui relaxamentos e exercícios de respiração, seguidos do aquecimento vocal, coordenados pela coralista Marcia Lyra.


Assim que a preparação termina, começa o aprendizado e treino do repertório. O estudante da Ufes Valtér Chagas, 21, elogiou o trabalho do regente e completou “o coral quando bem organizado pode ser terapêutico, relaxante, ajuda a combater o estresse do dia-a-dia”.


Alguns coralistas vêm com outros propósitos, como é o caso de Raysa Calegari, 19, estudante de Comunicação Social da Ufes. “Gostaria de melhorar minha técnica vocal, assim como minha dicção”. Ela, como tantos outros, anseia por melhor capacitação para o mercado de trabalho. Questionada sobre o canto coral, respondeu “acho interessante, sempre gostei de corais, inclusive minha mãe já participou de um”.


O Coral Integração está aberto aos interessados, como o professor José Viegas reforça. “Sempre existirão vagas para novos coralistas, desde que objetivem  realmente se integrar ao grupo.” Os ensaios acontecem às terças e quintas-feiras das 12 às 13h na sala Conexões de Saberes, no 2º andar do Centro de Vivências, logo acima da cantina Metrópolis.
___________________________________________________ Fotos por Patrícia Garcia

maio 02, 2010

Pinturas das noites capixabas

por Yuri Barichivich

O bar Cochicho da Penha, localizado na Rua da Lama, em Vitória, expôs nos dias 5 a 16 de abril uma série de pinturas feitas pelo artista plástico Brezinsky, 50, também conhecido como o saxofonista Salsa. Ele começou a pintar no final do ano passado, e como primeira e informal exposição, resolveu reinterpretar a Lama, no papel dos músicos que passaram pelo Cochicho.

O bar surgiu no final dos anos 80, quando Seu Geraldo, ao lado da esposa Conceição, tomou para si o bar ícone da boemia capixaba, o Cochicho da Penha, localizado no final da Rua da Lama, próximo ao maior reduto de intelectuais do estado, a Ufes. Em entrevista para Vitor Lopes, repórter de A Gazeta, Seu Geraldo declarou que “o bar começou sendo do meu irmão Manolo e mais dois sócios. Só depois de um tempo que a administração passou para mim. Era 1987 e o único bar da cidade que tocava Led Zeppelin, Deep Purple e Pink Floyd era o meu. Direto no LP. Tinha muito blues também.”

foto por Izaias Buson
Interior do Bar Cochicho da Penha

Com suas clássicas mesas de madeira e seus garçons, que fazem a diversão dos clientes, o Cochicho concentra boa parte da história moderna da música do Espírito Santo. Passaram pelo bar inúmeros encontros musicais, bandas iniciantes e músicos conhecidos no estado, tornando-se um dos lugares mais famosos entre os jovens capixabas dessa geração.

Infelizmente não foi possível contatar o artista Brezinsky, mas ele concedeu uma entrevista ao repórter Vitor Lopes de A Gazeta sobre suas obras. “Essas são as pessoas com as  quais eu convivi aqui no Cochicho, tocando neste ambiente”, comenta Salsa, enquanto relembra que chegou à região no final dos anos 80. “Muitos bares foram inaugurados por aqui, mas o Cochicho é o único que resistiu à década de 80, 90 e à última. A minha formação musical é toda daqui, principalmente pela mistura que sempre contemplou a MPB e o jazz”.

Muitos dos clientes questionados não sabiam da existência da exposição. Alguns chegaram a exclamar “nossa, não é que é mesmo!”, com ar bastante surpreso, mostrando que, apesar da divulgação, houve pouco interesse. O estudante da Ufes, Sidney Spacini, que observou as gravuras, comentou “gostei da exposição porque apesar de eu não ter tido muito contato com os músicos que estavam lá retratados, pelo menos já tinha ouvido falar deles. Acho que é uma boa trazer esses músicos até as pessoas”. Sobre o ambiente, declarou “o ambiente do Cochicho tem um clima ideal para falar de música de boteco, porque para mim ele é um dos mais tradicionais bares que permanecem por aqui. Tirando um ou dois lá do centro, o Cochicho é o mais oldschool daqui, e já esteve um bocado de músicos interessantes sentados por lá.”

O Bar Cochicho da Penha (Rua Anísio Fernandes Coelho, 1.730, Jardim da Penha, Vitória. A partir das 19h) expôs do dia 5 até o dia 16 de abril.

abril 13, 2010

Grupo Skudrunka

por Yuri Barichivich


Se apresentando com um ritmo orgânico e instrumental, algo pouco visto na cena musical capixaba, está o grupo Skudrunka. É composto por Augusto Valente no Violino e Flauta Doce, César Campos com Violão 12 Cordas, Bandolim, Flauta Doce, Pífaro e Derbak, Juliherme Piffer tocando Zabumba, Derbak, Guizos e Triângulo e Rafael Schirner também no Violino, Flauta Doce e Derbak.

foto: divulgação

Essa seleção pouco usual de instrumentos difere do clássico quarteto composto por guitarra, bateria, baixo e vocal, usado pela maioria das bandas jovens. Assim, a música do Skudrunka pode ser considerada mais pura, partindo para um campo mais erudito, com melodias suaves.

Segundo os membros, “o Grupo Skudrunka surge a partir de reuniões abertas e informais com o intuito de tocar música improvisada, tomando como referência experiências individuais dos componentes que se integram ao grupo”.

Reunindo ritmos e estilos orientais e ocidentais, passando por ritmos brasileiros, o Grupo Skudrunka abrange períodos como o barroco, o renascimento e o romantismo. Dessa forma o grupo busca mesclar, realizar e experimentar novas possibilidades sonoras e rítmicas de forma livre e espontânea, fazendo música a sua maneira, sem limitações. Seu repertório inclui Música Cigana, Árabe, Clássica, Popular, Regional, Folclórica mundial, Celta e mais misturas se fundindo num só ritmo alerta e improvisado.

Em algumas apresentações, o grupo Skudrunka ainda pode contar com alguns convidados especiais. Suas últimas foram:

- Tenda da Cultura, Secretaria de Cultura da PMV, 06/09/2009, Praia de Camburi, Vitória-ES.
- Abertura do Atelier Internacional de Urbanismo, 19/10/2009, Secretaria de Cultura da PMV, programação municipal do ANO DA FRANÇA no BRASIL, FAFI, Vitória-ES.
- Espírito de Natal, 18/12/2009, Restaurante Sol da Terra, Centro, Vitória-ES.
- Restaurante Sol da Terra, 12/03/2010, Centro, Vitória-ES.

Vídeos da apresentação do dia 12 de março:

abril 08, 2010

Roda de Bar – Apresentando Mary-Luu

por Lucas Rocha


Sentar num bar, beber uma cerveja e ouvir alguém tocando boa música. Esse é o plano de muita gente para as sextas-feiras. Embora nem sempre tenham a atenção do público, ou da mídia tradicional, muitos impressionam pela qualidade de suas apresentações. Então, hoje iniciamos a série Roda de Bar, com a música e os músicos que tocam na noite capixaba, em bares e restaurantes.

foto: Orkut
E para começar com quem está começando, Mary-Luu. No último sábado, Mary, que também é estudante de Comunicação Social na Ufes, fez sua primeira apresentação “oficial” no bar e restaurante Canto da Roça, na Praia do Canto, em Vitória.

Com um repertório não tão comum, Mary dialoga não só com a música brasileira, mas também com o rock, o pop e o pop rock ingleses, sem perder a coerência entre as músicas. Versátil no palco, ela toca violão, canta e cria a percussão com a ajuda de um pedal. Mary-Luu cativou o público, atendeu a pedidos de músicas e manteve a qualidade da performance.

Mary conversou um pouco com o NOTAS MUSICAIS, como você pode conferir abaixo.

NOTAS MUSICAIS: Podemos começar?
Mary-Luu: For sure!

NM: Como você começou a tocar?
Mary-Luu: Foi quando eu tinha uns 9 ou 10 anos. Minha mãe sempre tocou, e dava aula pra parentes e amigos na época. Um dia me interessei e ela começou a me ensinar. Depois de um tempo, fui desenvolvendo sozinha, com ajuda da internet.

NM: Então, foi, pelo menos em parte, influência da sua mãe?
Mary-Luu: Com certeza. Sem falar que minha família é toda ligada à música, cresci com isso.

NM: E por que artistas e bandas te influenciam?
Mary-Luu: Internacionalmente, que é o mais presente pra mim, tem cantoras britânicas como a KT Tunstall, a Lily Allen, Corinne Bailey Rae, também Shania Twain, Norah Jones... Algumas bandas como Dave Matthews Band, Bon Jovi, o próprio Santana. Nacionalmente eu diria Oswaldo Montenegro, que é meu grande ídolo brasileiro, e os nomezinhos clássicos: Ana Carolina, Cássia Eller, etc.

NM: E você compõe?
Mary-Luu: Um pouco... Na verdade, sempre tentei compor ao longo dos anos, mas nunca ia saindo algo que me agradava, então abandonava as composições na metade. Uma vez eu acabei compondo uma música em português que me satisfez. E, alguns anos depois, uma em inglês, que inclusive toquei no Bandejão semana passada. Ultimamente me sinto mais habilitada a compor, mas ainda não flui tão bem.

NM: Como é expor suas músicas ao público?
Mary-Luu: Intenso, porque em geral, quando elas "saem", é porque me tomou muito envolvimento emocional. Ambas são músicas vulneráveis, então é como me expor. Mas não tive problemas com isso até agora.

NM: E tocar na noite capixaba, como é?
Mary-Luu: Hahaha, ainda não tive muita experiência com isso, sábado foi a minha estréia. Mas é o que eu sempre quis fazer e achei uma delícia! Pela primeira vez, me senti no meu "habitat natural".

NM: E como foi escolher o repertório para essa estréia?
Mary-Luu: Na verdade, eu passei o ano passado inteiro selecionando e tirando músicas pra me apresentar nesses ambientes... e é uma apresentação longa, então requer muitas músicas. Logo, o repertório de músicas treinadas que eu tinha já era mais ou menos tudo que eu ia tocar. Pra explicar melhor, meu repertório geral tem umas 55 músicas. Eu eliminei umas 10 apenas. Então foi mais uma questão de ordenar do que de escolher. Mas pra escolher as músicas ao longo do ano, eu procurei me basear no meu ideal de mudar o repertório clássico das músicas de barzinho de Vitória. Algo moderno, descontraído, mas diferente da MPB e do sertanejo universitário que todo mundo já cansou de ouvir. Por isso acabei selecionando muito mais músicas internacionais... Mas como você pode ver (ouvir), rolou Ana Carolina, Caetano, Rita Lee... Não deixei o clássico de fora.

NM: E você pretende continuar a tocar profissionalmente?
Mary-Luu: Pretendo sim, esse é meu objetivo há um bom tempo, e eu só tô começando!

NM: E sua agenda de apresentações?
Mary-Luu: Confirmada, mais uma no Canto da Roça nesta sexta. Em outros lugares, ainda estou esperando o contato dos estabelecimentos.

NM: Obrigado pela entrevista, e sucesso.
Mary-Luu: Obrigada.

Como dito na entrevista, Mary-Luu vai se apresentar novamente no Canto da Roça, na próxima sexta-feira (09). Uma amostra de seu som pode ser conferida aqui.

Local: Canto da Roça Bar e Restaurante, João da Cruz, 280, Praia do Canto, Vitória - ES

Contatos:
maryfiorin@yahoo.com.br
(27) 9309 9578

Paciente de hemodiálise anima companheiros com música


por Ayanne Karoline

A rotina dos pacientes de uma clínica de hemodiálise localizada em Laranjeiras, Serra, está mais animada, graças a Rubens da Cruz. Além de doente renal crônico, ele é paraplégico e deficiente visual, mas isso não o impede de mostrar seus talentos. Ao sair de sua sessão de hemodiálise, Rubens canta e toca violão, chamando a atenção de outros pacientes e funcionários.

“Acho legal da parte dele tocar as músicas, é um exemplo de perseverança e humildade”, afirma a auxiliar de serviços gerais da clínica, Elza Lopes.

Há dois anos, Rubinho, como é carinhosamente chamado pelos enfermeiros, gravou seu primeiro CD: “No Laço do Amor”. Ele conta como encontrou forças para continuar vivendo normalmente em meio a tantos empecilhos. “Minha vida sempre foi difícil, mas nunca desanimei. Busco todos os dias minha felicidade, quero viver cada dia como se fosse o último. Faço minha música, que é a coisa mais reconfortante pra mim”, relata.

A enfermeira chefe da clínica de hemodiálise, Simone Ciqueira, acredita na música como forma de terapia de recuperação. Ela revela que gosta das músicas do animado Rubinho, e que apóia atividades diferentes para quebrar a triste rotina de um paciente de hemodiálise.

Entretanto, também existem casos de reprovação ao “show” de Rubens. “Tem pacientes que não gostam, acham um incômodo ele ficar cantando musicas antigas e tocando violão”, conta uma paciente que prefere não se identificar.

Rubens da Cruz faz hemodiálise na clínica toda segunda, quarta e sexta-feira. Em quase todos esses dias, ele toca suas músicas com seu violão. O paciente já não aguarda mais um transplante renal. Seu nome foi retirado da lista de transplantes por ser diabético e portar outras complicações. Mas, apesar das dificuldades, ele espera uma vida nova. “Tenho esperança de que Deus opera milagres, e eu já sou um milagre, não tenho família para me apoiar... (silêncio) mas tenho a música pra confortar meu coração e me dar forças pra prosseguir a cada dia.”