Blog experimental criado por 5 alunos de jornalismo da UFES. Matérias relacionadas à música em Vitória, Serra e Vila Velha.
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maio 02, 2010

Pinturas das noites capixabas

por Yuri Barichivich

O bar Cochicho da Penha, localizado na Rua da Lama, em Vitória, expôs nos dias 5 a 16 de abril uma série de pinturas feitas pelo artista plástico Brezinsky, 50, também conhecido como o saxofonista Salsa. Ele começou a pintar no final do ano passado, e como primeira e informal exposição, resolveu reinterpretar a Lama, no papel dos músicos que passaram pelo Cochicho.

O bar surgiu no final dos anos 80, quando Seu Geraldo, ao lado da esposa Conceição, tomou para si o bar ícone da boemia capixaba, o Cochicho da Penha, localizado no final da Rua da Lama, próximo ao maior reduto de intelectuais do estado, a Ufes. Em entrevista para Vitor Lopes, repórter de A Gazeta, Seu Geraldo declarou que “o bar começou sendo do meu irmão Manolo e mais dois sócios. Só depois de um tempo que a administração passou para mim. Era 1987 e o único bar da cidade que tocava Led Zeppelin, Deep Purple e Pink Floyd era o meu. Direto no LP. Tinha muito blues também.”

foto por Izaias Buson
Interior do Bar Cochicho da Penha

Com suas clássicas mesas de madeira e seus garçons, que fazem a diversão dos clientes, o Cochicho concentra boa parte da história moderna da música do Espírito Santo. Passaram pelo bar inúmeros encontros musicais, bandas iniciantes e músicos conhecidos no estado, tornando-se um dos lugares mais famosos entre os jovens capixabas dessa geração.

Infelizmente não foi possível contatar o artista Brezinsky, mas ele concedeu uma entrevista ao repórter Vitor Lopes de A Gazeta sobre suas obras. “Essas são as pessoas com as  quais eu convivi aqui no Cochicho, tocando neste ambiente”, comenta Salsa, enquanto relembra que chegou à região no final dos anos 80. “Muitos bares foram inaugurados por aqui, mas o Cochicho é o único que resistiu à década de 80, 90 e à última. A minha formação musical é toda daqui, principalmente pela mistura que sempre contemplou a MPB e o jazz”.

Muitos dos clientes questionados não sabiam da existência da exposição. Alguns chegaram a exclamar “nossa, não é que é mesmo!”, com ar bastante surpreso, mostrando que, apesar da divulgação, houve pouco interesse. O estudante da Ufes, Sidney Spacini, que observou as gravuras, comentou “gostei da exposição porque apesar de eu não ter tido muito contato com os músicos que estavam lá retratados, pelo menos já tinha ouvido falar deles. Acho que é uma boa trazer esses músicos até as pessoas”. Sobre o ambiente, declarou “o ambiente do Cochicho tem um clima ideal para falar de música de boteco, porque para mim ele é um dos mais tradicionais bares que permanecem por aqui. Tirando um ou dois lá do centro, o Cochicho é o mais oldschool daqui, e já esteve um bocado de músicos interessantes sentados por lá.”

O Bar Cochicho da Penha (Rua Anísio Fernandes Coelho, 1.730, Jardim da Penha, Vitória. A partir das 19h) expôs do dia 5 até o dia 16 de abril.

abril 08, 2010

Roda de Bar – Apresentando Mary-Luu

por Lucas Rocha


Sentar num bar, beber uma cerveja e ouvir alguém tocando boa música. Esse é o plano de muita gente para as sextas-feiras. Embora nem sempre tenham a atenção do público, ou da mídia tradicional, muitos impressionam pela qualidade de suas apresentações. Então, hoje iniciamos a série Roda de Bar, com a música e os músicos que tocam na noite capixaba, em bares e restaurantes.

foto: Orkut
E para começar com quem está começando, Mary-Luu. No último sábado, Mary, que também é estudante de Comunicação Social na Ufes, fez sua primeira apresentação “oficial” no bar e restaurante Canto da Roça, na Praia do Canto, em Vitória.

Com um repertório não tão comum, Mary dialoga não só com a música brasileira, mas também com o rock, o pop e o pop rock ingleses, sem perder a coerência entre as músicas. Versátil no palco, ela toca violão, canta e cria a percussão com a ajuda de um pedal. Mary-Luu cativou o público, atendeu a pedidos de músicas e manteve a qualidade da performance.

Mary conversou um pouco com o NOTAS MUSICAIS, como você pode conferir abaixo.

NOTAS MUSICAIS: Podemos começar?
Mary-Luu: For sure!

NM: Como você começou a tocar?
Mary-Luu: Foi quando eu tinha uns 9 ou 10 anos. Minha mãe sempre tocou, e dava aula pra parentes e amigos na época. Um dia me interessei e ela começou a me ensinar. Depois de um tempo, fui desenvolvendo sozinha, com ajuda da internet.

NM: Então, foi, pelo menos em parte, influência da sua mãe?
Mary-Luu: Com certeza. Sem falar que minha família é toda ligada à música, cresci com isso.

NM: E por que artistas e bandas te influenciam?
Mary-Luu: Internacionalmente, que é o mais presente pra mim, tem cantoras britânicas como a KT Tunstall, a Lily Allen, Corinne Bailey Rae, também Shania Twain, Norah Jones... Algumas bandas como Dave Matthews Band, Bon Jovi, o próprio Santana. Nacionalmente eu diria Oswaldo Montenegro, que é meu grande ídolo brasileiro, e os nomezinhos clássicos: Ana Carolina, Cássia Eller, etc.

NM: E você compõe?
Mary-Luu: Um pouco... Na verdade, sempre tentei compor ao longo dos anos, mas nunca ia saindo algo que me agradava, então abandonava as composições na metade. Uma vez eu acabei compondo uma música em português que me satisfez. E, alguns anos depois, uma em inglês, que inclusive toquei no Bandejão semana passada. Ultimamente me sinto mais habilitada a compor, mas ainda não flui tão bem.

NM: Como é expor suas músicas ao público?
Mary-Luu: Intenso, porque em geral, quando elas "saem", é porque me tomou muito envolvimento emocional. Ambas são músicas vulneráveis, então é como me expor. Mas não tive problemas com isso até agora.

NM: E tocar na noite capixaba, como é?
Mary-Luu: Hahaha, ainda não tive muita experiência com isso, sábado foi a minha estréia. Mas é o que eu sempre quis fazer e achei uma delícia! Pela primeira vez, me senti no meu "habitat natural".

NM: E como foi escolher o repertório para essa estréia?
Mary-Luu: Na verdade, eu passei o ano passado inteiro selecionando e tirando músicas pra me apresentar nesses ambientes... e é uma apresentação longa, então requer muitas músicas. Logo, o repertório de músicas treinadas que eu tinha já era mais ou menos tudo que eu ia tocar. Pra explicar melhor, meu repertório geral tem umas 55 músicas. Eu eliminei umas 10 apenas. Então foi mais uma questão de ordenar do que de escolher. Mas pra escolher as músicas ao longo do ano, eu procurei me basear no meu ideal de mudar o repertório clássico das músicas de barzinho de Vitória. Algo moderno, descontraído, mas diferente da MPB e do sertanejo universitário que todo mundo já cansou de ouvir. Por isso acabei selecionando muito mais músicas internacionais... Mas como você pode ver (ouvir), rolou Ana Carolina, Caetano, Rita Lee... Não deixei o clássico de fora.

NM: E você pretende continuar a tocar profissionalmente?
Mary-Luu: Pretendo sim, esse é meu objetivo há um bom tempo, e eu só tô começando!

NM: E sua agenda de apresentações?
Mary-Luu: Confirmada, mais uma no Canto da Roça nesta sexta. Em outros lugares, ainda estou esperando o contato dos estabelecimentos.

NM: Obrigado pela entrevista, e sucesso.
Mary-Luu: Obrigada.

Como dito na entrevista, Mary-Luu vai se apresentar novamente no Canto da Roça, na próxima sexta-feira (09). Uma amostra de seu som pode ser conferida aqui.

Local: Canto da Roça Bar e Restaurante, João da Cruz, 280, Praia do Canto, Vitória - ES

Contatos:
maryfiorin@yahoo.com.br
(27) 9309 9578