Blog experimental criado por 5 alunos de jornalismo da UFES. Matérias relacionadas à música em Vitória, Serra e Vila Velha.
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abril 08, 2010

Paciente de hemodiálise anima companheiros com música


por Ayanne Karoline

A rotina dos pacientes de uma clínica de hemodiálise localizada em Laranjeiras, Serra, está mais animada, graças a Rubens da Cruz. Além de doente renal crônico, ele é paraplégico e deficiente visual, mas isso não o impede de mostrar seus talentos. Ao sair de sua sessão de hemodiálise, Rubens canta e toca violão, chamando a atenção de outros pacientes e funcionários.

“Acho legal da parte dele tocar as músicas, é um exemplo de perseverança e humildade”, afirma a auxiliar de serviços gerais da clínica, Elza Lopes.

Há dois anos, Rubinho, como é carinhosamente chamado pelos enfermeiros, gravou seu primeiro CD: “No Laço do Amor”. Ele conta como encontrou forças para continuar vivendo normalmente em meio a tantos empecilhos. “Minha vida sempre foi difícil, mas nunca desanimei. Busco todos os dias minha felicidade, quero viver cada dia como se fosse o último. Faço minha música, que é a coisa mais reconfortante pra mim”, relata.

A enfermeira chefe da clínica de hemodiálise, Simone Ciqueira, acredita na música como forma de terapia de recuperação. Ela revela que gosta das músicas do animado Rubinho, e que apóia atividades diferentes para quebrar a triste rotina de um paciente de hemodiálise.

Entretanto, também existem casos de reprovação ao “show” de Rubens. “Tem pacientes que não gostam, acham um incômodo ele ficar cantando musicas antigas e tocando violão”, conta uma paciente que prefere não se identificar.

Rubens da Cruz faz hemodiálise na clínica toda segunda, quarta e sexta-feira. Em quase todos esses dias, ele toca suas músicas com seu violão. O paciente já não aguarda mais um transplante renal. Seu nome foi retirado da lista de transplantes por ser diabético e portar outras complicações. Mas, apesar das dificuldades, ele espera uma vida nova. “Tenho esperança de que Deus opera milagres, e eu já sou um milagre, não tenho família para me apoiar... (silêncio) mas tenho a música pra confortar meu coração e me dar forças pra prosseguir a cada dia.”