Blog experimental criado por 5 alunos de jornalismo da UFES. Matérias relacionadas à música em Vitória, Serra e Vila Velha.

maio 08, 2010

Conheça melhor o professor José Viegas e o Coral Integração

por Yuri Barichivich e Patrícia Garcia

Durante a produção da matéria “Integração através da música” foi nos concedida a oportunidade de entrevistar o professor adjunto da Ufes José Viegas Muniz Neto, membro do corpo docente do Departamento de Teorias da Arte e Música (DTAM). Com uma longa e rica história no ensino da música, o professor José Viegas é um dos mais queridos do Curso de Música, onde ocupa a cadeira de Harmonia, Instrumentos e Regência de Coros.

Em entrevista ao NOTAS MUSICAIS, o professor revelou parte de sua vida profissional, conversou sobre seu novo coral, o Coral Integração, e nos contou um pouco do propósito de seu trabalho. Abaixo, a entrevista na íntegra.

NOTAS MUSICAIS - Poderia nos contar um pouco de sua experiência como regente?
JOSÉ VIEGAS - Sou Bacharel em Ciências Jurídicas pela Universidade Mackenzie – SP, e após minha inscrição na OAB, perguntei a um colega se deveria optar por música, pois era também Graduado pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo em Piano - Virtuosidade. A resposta foi imediata: "opte por aquilo sem o que você não conseguiria viver".

Foi quando segui a carreira musical.  Através de concurso, obtive uma bolsa do governo holandês para estudar no Conservatório Real de Haia, onde permaneci durante 6 anos,  quando me formei como Regente de Orquestra, com prix de excellence.

Aproveitei minha permanência na Europa quando regi na França, obtendo o primeiro prêmio Jeunes Chefs d'Orchestre da Orquestra Sinfônica da Radio Difusão francesa, na cidade de Besançon. Estudei também em Veneza com Franco Ferrara, professor do Conservatório de Roma.  Realizei também um Curso Internacional de Coro e Orquestra com  Kurt Thomas de Leipzig-Alemanha; e, em Nice, com Pierre Dervaux , regente da Ópera de Paris.

Na Holanda, atuei em corais com várias execuções públicas, inclusive com Orquestra Sinfônica e Solistas, apresentando um vasto repertório de todos os períodos, inclusive de autores brasileiros.

Regendo a conhecida Banda Sinfônica do exército  holandês Johann Friso Kapel, com sede na cidade de Assen,  obtive o diploma estatal de regente de banda e fanfarras.


Voltando ao Brasil atuei como regente na OSPA - Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e em São Paulo, na Orquestra Sinfônica Estadual. Como regente da Secretaria de Estado da Cultura, em São Paulo, durante quatro anos, fui titular da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto,  dos Mestras Cantores de Araçatuba-SP, do Coral de Intercâmbio Internacional de Jovens, promovido pela Comissão Mundial de Diretores do Rotary Club, com participação de 15 países, do Coral da União Geral da Armênia de Beneficência – UGAB em São Paulo, do Coral da Ferrovia Paulista - FEPASA, formado pelos funcionários daquela entidade, do Coral ARS-EA, composto pelos alunos do Curso de Educação Artística  do Instituto de Artes da UNESP em São Paulo e Orquestra da Rádio Cultura da Fundação Padre Anchieta de São Paulo, regendo na série “ A música dos grandes mestres”.

Em todas essas regências, sempre trabalhando com vasto repertório de obras para os concertos e recitais de orquestra, com solistas como Nelson Freire, Arthur Moreira Lima, Jacques Klein, e corais.
Depois fiz concurso público para cadeira de Regência na Universidade Estadual Paulista, onde me aposentei como Livre Docente.

Em seguida comecei a frequentar a cidade de Guarapari pela radio-atividade lá existente e pelo clima, considerado o melhor do país, devido à saúde de minha esposa, com artrite reumatóide.
Por sugestão de amigos, fiz concurso público no Centro de Artes da Ufes, para a cadeira de Harmonia, Instrumentos, Regência de Coros, quando, após alguns anos, transferi residência para Vitória, onde moro atualmente.

Aprecio muito o alunato desta Universidade e admiro o crescimento extraordinário do capixaba em todas as áreas.

NM - O que incentivou a criação do Coral Integração? 
JV - A idealização e a criação do Coral Integração são um Projeto de Extensão que visa à integração entre música e sociedade, objetivando contribuir com a criatividade e o desempenho em prol do desenvolvimento  sócio-artístico e cultural. Como cita Capri, “ninguém é uma ilha”.

NM  O Coral Integração possui alguma relação com a Pró-Reitoria de Extensão (Proex)? 
JV  O coral é composto em sua maioria por alunos dos vários Centros da Ufes, professores, funcionários e pessoas da comunidade, e não apenas de funcionários pertinentes à Proex.  Até a presente data ensaiamos lá provisoriamente, pois nosso local definitivo é a sala de Conexões de Saberes (que estava em reforma)*, no Centro de Vivência, onde há espaço suficiente para seus já 30 componentes! Os componentes do coral Integração provêm de variados cursos: música (seis elementos), jornalismo (três), psicologia (três), letras (um), matemática (um), marketing (um), história (um), arquitetura (dois), comunicação (um), de ciências sociais  (um). Também há coralistas da comunidade (seis), da Braslimp (um), e do DRH – Departamento de Recursos Humanos (dois). No entanto, nossa estrita ligação com a Proex pode ser apontada pelos seguintes motivos:
1.    O regente, que é professor no Centro de Artes, é também representante de seu Centro na Proex, e fundou um Coral que se baseia numa proposta de integração que está inclusive nos ditames da Proex e do Centro de Artes. No entanto, nossa estreita ligação com a Proex  está vinculada a um Projeto de Extensão, cujo nome é "Coral Integração" idealizado e executado pelo professor Viegas, seu regente e seus acessores.  
2.    A atenção e o apoio da Pró-Reitoria de Extensão e da Diretoria do Centro de Artes, que têm sido relevantes  e indispensáveis  neste  intercâmbio.

*na data da entrevista, o Coral ensaiava na Proex. Desde a última terça-feira, os ensaios voltaram para a sala definitiva, do Conexões de Saberes.   

NM - O coral já possui um número razoável de coralistas, apesar do pouco tempo de existência. A que se deve isso?
JV - Deve-se ao interesse das pessoas de que lá participam com dedicação, principalmente por terem um ideal e se sentirem recompensadas pela qualidade do grupo.

NM - Os naipes estão equilibrados dentro do coral?
JV - Tivemos muita sorte a esse respeito. Ninguém está no lugar de ninguém, como alternativa de reforço. Temos oito baixos, seis tenores, seis contraltos e dez sopranos. Dosagem perfeita para o equilíbrio sonoro.

NM - Como existem dois corais de extensão dentro da Ufes, o Coral da Ufes e o Integração, não existe nenhum sentimento de rivalidade?


JV - O tradicional e belíssimo Coral da Ufes é regido pelo grande artista e amigo Cláudio Modesto, o qual prestigio por ser colega da mesma instituição. Desde que ingressei, sempre tivemos uma amizade muito autêntica.  Até agora, sempre o consulto e solicito suas opiniões, pois sendo ele um verdadeiro artista, não há motivo para nenhuma rivalidade. “Os verdadeiros artistas sempre acabam por se entender, mas os medíocres matam” dizia Eleazar de Carvalho. Quando iniciei o projeto, conversamos muito. Inclusive é meu hábito indicar meus melhores alunos para seus Corais, assim como muitos de seus coralistas cantam comigo.  Já realizamos juntos concertos com a participação de nossos corais, de meus alunos do Centro de Artes e dos componentes do Coral da Ufes,  assim como nos convidou para participar do 10º Encontro Nacional de Coros, Cantares, em setembro último, organizado por ele e encabeçado pela Secretaria  de Cultura da Ufes, dirigida pela professora Rosana Paste. Nossos ensaios são sempre realizados em dias e horários diferentes, para que não haja concomitância, não oferecendo nunca dificuldades para os integrantes. 

Integração através da música

por Patrícia Garcia e Yuri Barichivich

Na última quinta-feira, 29, visitamos o ensaio do mais novo coral da Ufes, o Coral Integração, regido pelo professor José Viegas Neto, do Departamento de Teorias da Arte e Música da Ufes. O grupo conta com aproximadamente vinte coralistas, apesar do pouco tempo de existência.

O Coral Integração começou há cerca de um mês, a partir do incentivo de participantes e do regente. O professor José Viegas coloca que “a idealização e a criação do Coral Integração é um Projeto de Extensão que visa a integração entre a música e a sociedade, objetivando contribuir com a criatividade e o desempenho em prol do desenvolvimento  sócio-artístico e cultural, pois como cita Capra: ‘ninguém é uma ilha’”.

No começo dos ensaios, existe um processo de preparação que inclui relaxamentos e exercícios de respiração, seguidos do aquecimento vocal, coordenados pela coralista Marcia Lyra.


Assim que a preparação termina, começa o aprendizado e treino do repertório. O estudante da Ufes Valtér Chagas, 21, elogiou o trabalho do regente e completou “o coral quando bem organizado pode ser terapêutico, relaxante, ajuda a combater o estresse do dia-a-dia”.


Alguns coralistas vêm com outros propósitos, como é o caso de Raysa Calegari, 19, estudante de Comunicação Social da Ufes. “Gostaria de melhorar minha técnica vocal, assim como minha dicção”. Ela, como tantos outros, anseia por melhor capacitação para o mercado de trabalho. Questionada sobre o canto coral, respondeu “acho interessante, sempre gostei de corais, inclusive minha mãe já participou de um”.


O Coral Integração está aberto aos interessados, como o professor José Viegas reforça. “Sempre existirão vagas para novos coralistas, desde que objetivem  realmente se integrar ao grupo.” Os ensaios acontecem às terças e quintas-feiras das 12 às 13h na sala Conexões de Saberes, no 2º andar do Centro de Vivências, logo acima da cantina Metrópolis.
___________________________________________________ Fotos por Patrícia Garcia

maio 02, 2010

Pinturas das noites capixabas

por Yuri Barichivich

O bar Cochicho da Penha, localizado na Rua da Lama, em Vitória, expôs nos dias 5 a 16 de abril uma série de pinturas feitas pelo artista plástico Brezinsky, 50, também conhecido como o saxofonista Salsa. Ele começou a pintar no final do ano passado, e como primeira e informal exposição, resolveu reinterpretar a Lama, no papel dos músicos que passaram pelo Cochicho.

O bar surgiu no final dos anos 80, quando Seu Geraldo, ao lado da esposa Conceição, tomou para si o bar ícone da boemia capixaba, o Cochicho da Penha, localizado no final da Rua da Lama, próximo ao maior reduto de intelectuais do estado, a Ufes. Em entrevista para Vitor Lopes, repórter de A Gazeta, Seu Geraldo declarou que “o bar começou sendo do meu irmão Manolo e mais dois sócios. Só depois de um tempo que a administração passou para mim. Era 1987 e o único bar da cidade que tocava Led Zeppelin, Deep Purple e Pink Floyd era o meu. Direto no LP. Tinha muito blues também.”

foto por Izaias Buson
Interior do Bar Cochicho da Penha

Com suas clássicas mesas de madeira e seus garçons, que fazem a diversão dos clientes, o Cochicho concentra boa parte da história moderna da música do Espírito Santo. Passaram pelo bar inúmeros encontros musicais, bandas iniciantes e músicos conhecidos no estado, tornando-se um dos lugares mais famosos entre os jovens capixabas dessa geração.

Infelizmente não foi possível contatar o artista Brezinsky, mas ele concedeu uma entrevista ao repórter Vitor Lopes de A Gazeta sobre suas obras. “Essas são as pessoas com as  quais eu convivi aqui no Cochicho, tocando neste ambiente”, comenta Salsa, enquanto relembra que chegou à região no final dos anos 80. “Muitos bares foram inaugurados por aqui, mas o Cochicho é o único que resistiu à década de 80, 90 e à última. A minha formação musical é toda daqui, principalmente pela mistura que sempre contemplou a MPB e o jazz”.

Muitos dos clientes questionados não sabiam da existência da exposição. Alguns chegaram a exclamar “nossa, não é que é mesmo!”, com ar bastante surpreso, mostrando que, apesar da divulgação, houve pouco interesse. O estudante da Ufes, Sidney Spacini, que observou as gravuras, comentou “gostei da exposição porque apesar de eu não ter tido muito contato com os músicos que estavam lá retratados, pelo menos já tinha ouvido falar deles. Acho que é uma boa trazer esses músicos até as pessoas”. Sobre o ambiente, declarou “o ambiente do Cochicho tem um clima ideal para falar de música de boteco, porque para mim ele é um dos mais tradicionais bares que permanecem por aqui. Tirando um ou dois lá do centro, o Cochicho é o mais oldschool daqui, e já esteve um bocado de músicos interessantes sentados por lá.”

O Bar Cochicho da Penha (Rua Anísio Fernandes Coelho, 1.730, Jardim da Penha, Vitória. A partir das 19h) expôs do dia 5 até o dia 16 de abril.