Blog experimental criado por 5 alunos de jornalismo da UFES. Matérias relacionadas à música em Vitória, Serra e Vila Velha.

abril 08, 2010

Roda de Bar – Apresentando Mary-Luu

por Lucas Rocha


Sentar num bar, beber uma cerveja e ouvir alguém tocando boa música. Esse é o plano de muita gente para as sextas-feiras. Embora nem sempre tenham a atenção do público, ou da mídia tradicional, muitos impressionam pela qualidade de suas apresentações. Então, hoje iniciamos a série Roda de Bar, com a música e os músicos que tocam na noite capixaba, em bares e restaurantes.

foto: Orkut
E para começar com quem está começando, Mary-Luu. No último sábado, Mary, que também é estudante de Comunicação Social na Ufes, fez sua primeira apresentação “oficial” no bar e restaurante Canto da Roça, na Praia do Canto, em Vitória.

Com um repertório não tão comum, Mary dialoga não só com a música brasileira, mas também com o rock, o pop e o pop rock ingleses, sem perder a coerência entre as músicas. Versátil no palco, ela toca violão, canta e cria a percussão com a ajuda de um pedal. Mary-Luu cativou o público, atendeu a pedidos de músicas e manteve a qualidade da performance.

Mary conversou um pouco com o NOTAS MUSICAIS, como você pode conferir abaixo.

NOTAS MUSICAIS: Podemos começar?
Mary-Luu: For sure!

NM: Como você começou a tocar?
Mary-Luu: Foi quando eu tinha uns 9 ou 10 anos. Minha mãe sempre tocou, e dava aula pra parentes e amigos na época. Um dia me interessei e ela começou a me ensinar. Depois de um tempo, fui desenvolvendo sozinha, com ajuda da internet.

NM: Então, foi, pelo menos em parte, influência da sua mãe?
Mary-Luu: Com certeza. Sem falar que minha família é toda ligada à música, cresci com isso.

NM: E por que artistas e bandas te influenciam?
Mary-Luu: Internacionalmente, que é o mais presente pra mim, tem cantoras britânicas como a KT Tunstall, a Lily Allen, Corinne Bailey Rae, também Shania Twain, Norah Jones... Algumas bandas como Dave Matthews Band, Bon Jovi, o próprio Santana. Nacionalmente eu diria Oswaldo Montenegro, que é meu grande ídolo brasileiro, e os nomezinhos clássicos: Ana Carolina, Cássia Eller, etc.

NM: E você compõe?
Mary-Luu: Um pouco... Na verdade, sempre tentei compor ao longo dos anos, mas nunca ia saindo algo que me agradava, então abandonava as composições na metade. Uma vez eu acabei compondo uma música em português que me satisfez. E, alguns anos depois, uma em inglês, que inclusive toquei no Bandejão semana passada. Ultimamente me sinto mais habilitada a compor, mas ainda não flui tão bem.

NM: Como é expor suas músicas ao público?
Mary-Luu: Intenso, porque em geral, quando elas "saem", é porque me tomou muito envolvimento emocional. Ambas são músicas vulneráveis, então é como me expor. Mas não tive problemas com isso até agora.

NM: E tocar na noite capixaba, como é?
Mary-Luu: Hahaha, ainda não tive muita experiência com isso, sábado foi a minha estréia. Mas é o que eu sempre quis fazer e achei uma delícia! Pela primeira vez, me senti no meu "habitat natural".

NM: E como foi escolher o repertório para essa estréia?
Mary-Luu: Na verdade, eu passei o ano passado inteiro selecionando e tirando músicas pra me apresentar nesses ambientes... e é uma apresentação longa, então requer muitas músicas. Logo, o repertório de músicas treinadas que eu tinha já era mais ou menos tudo que eu ia tocar. Pra explicar melhor, meu repertório geral tem umas 55 músicas. Eu eliminei umas 10 apenas. Então foi mais uma questão de ordenar do que de escolher. Mas pra escolher as músicas ao longo do ano, eu procurei me basear no meu ideal de mudar o repertório clássico das músicas de barzinho de Vitória. Algo moderno, descontraído, mas diferente da MPB e do sertanejo universitário que todo mundo já cansou de ouvir. Por isso acabei selecionando muito mais músicas internacionais... Mas como você pode ver (ouvir), rolou Ana Carolina, Caetano, Rita Lee... Não deixei o clássico de fora.

NM: E você pretende continuar a tocar profissionalmente?
Mary-Luu: Pretendo sim, esse é meu objetivo há um bom tempo, e eu só tô começando!

NM: E sua agenda de apresentações?
Mary-Luu: Confirmada, mais uma no Canto da Roça nesta sexta. Em outros lugares, ainda estou esperando o contato dos estabelecimentos.

NM: Obrigado pela entrevista, e sucesso.
Mary-Luu: Obrigada.

Como dito na entrevista, Mary-Luu vai se apresentar novamente no Canto da Roça, na próxima sexta-feira (09). Uma amostra de seu som pode ser conferida aqui.

Local: Canto da Roça Bar e Restaurante, João da Cruz, 280, Praia do Canto, Vitória - ES

Contatos:
maryfiorin@yahoo.com.br
(27) 9309 9578

Paciente de hemodiálise anima companheiros com música


por Ayanne Karoline

A rotina dos pacientes de uma clínica de hemodiálise localizada em Laranjeiras, Serra, está mais animada, graças a Rubens da Cruz. Além de doente renal crônico, ele é paraplégico e deficiente visual, mas isso não o impede de mostrar seus talentos. Ao sair de sua sessão de hemodiálise, Rubens canta e toca violão, chamando a atenção de outros pacientes e funcionários.

“Acho legal da parte dele tocar as músicas, é um exemplo de perseverança e humildade”, afirma a auxiliar de serviços gerais da clínica, Elza Lopes.

Há dois anos, Rubinho, como é carinhosamente chamado pelos enfermeiros, gravou seu primeiro CD: “No Laço do Amor”. Ele conta como encontrou forças para continuar vivendo normalmente em meio a tantos empecilhos. “Minha vida sempre foi difícil, mas nunca desanimei. Busco todos os dias minha felicidade, quero viver cada dia como se fosse o último. Faço minha música, que é a coisa mais reconfortante pra mim”, relata.

A enfermeira chefe da clínica de hemodiálise, Simone Ciqueira, acredita na música como forma de terapia de recuperação. Ela revela que gosta das músicas do animado Rubinho, e que apóia atividades diferentes para quebrar a triste rotina de um paciente de hemodiálise.

Entretanto, também existem casos de reprovação ao “show” de Rubens. “Tem pacientes que não gostam, acham um incômodo ele ficar cantando musicas antigas e tocando violão”, conta uma paciente que prefere não se identificar.

Rubens da Cruz faz hemodiálise na clínica toda segunda, quarta e sexta-feira. Em quase todos esses dias, ele toca suas músicas com seu violão. O paciente já não aguarda mais um transplante renal. Seu nome foi retirado da lista de transplantes por ser diabético e portar outras complicações. Mas, apesar das dificuldades, ele espera uma vida nova. “Tenho esperança de que Deus opera milagres, e eu já sou um milagre, não tenho família para me apoiar... (silêncio) mas tenho a música pra confortar meu coração e me dar forças pra prosseguir a cada dia.”

abril 05, 2010

Napalma da Noite

por Ismael Inoch


A mistura dos tradicionais ritmos percussivos com as badaladas batidas da música eletrônica agitou a noite da última quinta-feira no Teacher's Pub, na Praia do Canto, em Vitória. O grupo Napalma,  formado pelo moçambicano Ivo Maia, no vocal, junto com os brasileiros Rafael Jabah, beats eletrônicos e percussão, e Cid Travaglia, também na percussão, subiu ao palco da casa e não deixou ninguém parado.

foto: Mia Davila



O trio, que é resultado de aliança cultural entre África e Brasil, foi criado em 2004 na capital capixaba e já rodou continentes em turnê, com apresentações na África (África do Sul, Moçambique, Suazilândia e Egito), no Brasil e na Europa (Portugal, Holanda, Alemanha e Reino Unido).

Com um estilo musical não muito definido, o batuque do grupo conquistou quem curtia a noite no Teachers'pub. O trio possui vocais em inglês, português e changana, dialeto falado no sul de moçambique e norte da África do Sul. Mesmo sem entender muito bem as letras, o público se empolgou com o show.

Assista o vídeo demonstrativo de Napalma:

O grupo já tem presença confirmada em eventos durante a Copa do Mundo na África do Sul em junho e julho deste ano. Quem perdeu a apresentação no Teacher's ainda pode experimentar o "novo som" da banda no próximo show do Napalma no Cerimonial da Ilha, em Vitória, no dia 11 de abril. Informações pelo telefone (27) 8128-9231. 

www.napalma.com.br